"Paranoid Android" nos quadrinhos da 45 Rotações de Rock

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O francês Hervé Bourhis segue com sua proposta de levar o rock aos quadrinhos – e vice-versa. Depois de um livro dedicado aos Beatles e o ótimo O Pequeno livro do Rock, a Conrad lança no Brasil a HQ 45 Rotações de Rock, com singles emblemáticos desde 1945 até os dias atuais.

 

Hervé fez uma seleção ilustrada – e subjetiva – de singles que vão de Chuck Berry aos White Stripes, passando por David Bowie, Joy Division, The Clash, Radiohead, Rolling Stones e muitos outros. Ele conta de maneira divertida as histórias por trás dessas canções, como já fez em suas obras anteriores.

 

O Brasil está representando com o single “Panis Et Circensis”, dos Mutantes, lançado em 1968. O Pequeno livro do Rock tem 48 páginas e custa R$ 37,90, com previsão de lançamento para este mês. Veja algumas das capas de singles da obra.

 

 

 

 

 

Aqui na revista : O GRITO

Para ouvir lendo (ou apenas ouvir): High and Dry

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Lilás (hediondos crimes brandos).

e, de repente, um fio de cabelo

há tanto esquecido e negligenciado,

deflagrando não só a existência dela,

como sua passagem por lá.

 

Ela já esteve ali.

 

O cabelo longo de tantos anos, quase tão longo, quanto aquela história,

que assepticamente tentaram apagar e

por felicidade, intenção, ou não

piamente falharam.

 

Um fio.

Ela.

A existência de tudo aquilo, violentando a brancura irremediável, roubando os perfumes, criando tantos outros, e, sobretudo, falsificando, os gostos, os tons, os momentos e as expressões, as dela e, sem saber(em), as dele…

 

Quem teme não deve.

 

Um fio que se safou de todas as limpezas, de todas as sextas-feiras (até as mais desesperadas e maníacas)

aguentou sozinho todo o peso do mundo e do tempo.

e do esquecimento.

todos inexoráveis e, pelo cabelo e no cabelo, irrefutáveis.

 

Quem teme não está.

 

Quem teme e suspira não mais é.

nem será.

não daquele jeito.

não mais.

 

Ser e tempo.

das intermináveis conversas.

dos inabaláveis silêncios.

da época e da vida em que se faziam e matavam o tempo, em que se matavam, e faziam tempo.

 

Uma estória empoeirada.

Bocas marcadas de sujeira.

 

E o cabelo.

criando novamente tudo aquilo, mostrando que eles já estiveram juntos, que eles tiveram (e foram) história(s).

que eles aconteceram e foram, há tanto, tanto em tão pouco.

pouco tempo.

pouco outro.

pouco eles.

toda aquela escassez era e que, por aquele cabelo loiro espiralado e tão sujo, voltou a ser.

ao fundo, como um disco riscado, “high and dry” embala os sonos,

as insônias, daqueles que, esquecidos, se esquecem.

 

Mas agora são lembrados.

 

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João Henrique Balbinot, paranaense de interior, gosta de viver rodeado de músicas, palavras e pessoas.  Quase sempre. Como escritor, é autor do livro de contos “No arco-íris do esquecimento” (Ed. Multifoco, 2012).

 

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Blog: http://influir.wordpress.com/
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Livro:

http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=966&idProduto=995

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Happy Birthday Ed O'Brien

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Edward John O'Brien, nosso querido guitarrista, faz 46 anos no dia 15 de Abril. Nascido em Oxford, Ed é o responsável por alguns clássicos do Radiohead, com seus efeitos vocais (Lucky por exemplo) e progressões mágicas como em Climbing Up The Walls ou no petardo Dollars And Centes entre tantas canções com sua marca, por vezes sutil, por vezes poética, tornando várias canções da banda verdadeiros hinos. Considerado pela Rolling Stones um dos melhores guitarristas de todos os tempos,  Edward também é um dos fundadores da Featured Artists Coalition (FAC), que visa preservar os interesses dos artistas musicais, sobretudo nesses novos tempos digitais e formas de distribuição e diluição de sons, algo que o próprio radiohead ajudou a expandir.  Apaixonado pelo Brasil, foi um dos principais incentivadores para a banda ter vindo a nosso país em 2009.

Parabéns e vida longa ao nosso Ed!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Motoko Ishii faz Instalação baseada em "Last Flowers" do Radiohead

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Motoko Ishii é uma autoridade japonesa no estudo do design e também é a fundadora da Motoko Ishii Lighting Design Inc, uma sociedade de profissionais que trabalham design buscando novas formas no trato com a luz e iluminação. Considerada uma pioneira em projetos com iluminação, Ishii, desda décade de 60, coleciona muitos prêmios internacionais.

 

Publicações:

 

“Motoko Light+Space+Time” (2009), “Lighting Horizons” (2001)

"Light for the 21st Century" (1998)

“Creation of Lightscape” (1997)

“Light to Infinity” (1991),

“My World of Lights” (1985)

"Design for Environmental Lighting" (1984)

 

Um dos seus últimos trabalhos foi para uma classe de estudantes de design, incentivando-os a criaram uma "Visual Music". A resposta dos alunos foi uma instalação usando fitas cassetes como uma nova abordagem sobre uma canção. A letra escolhida foi da pérola Last Flowers, do álbum In Rainbows,  lançado em 2007. O projeto foi realizado em 2012.

 

Confira algumas fotos deste estiloso projeto de Motoko Ishii.

 

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"Last Flowers"

 

"Appliances have gone berserk
I cannot keep up
Treading on people's toes
Snot-nosed little punk
And I can't face the evening straight
And you can't offer me escape
Houses move and houses speak
If you take me there you'll get relief
Relief, relief, relief, relief...
And if I'm gonna talk
I just wanna talk
Please don't interrupt
Just sit back and listen
Cause I can't face the evening straight
And you can't offer me escape
Houses move and houses speak
If you take me there you'll get relief
relief, relief, relief, relief...


It's too much
Too bright
Too powerful
Too much
Too bright
Too powerful
Too much
Too bright
Too powerful

Too much"

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Site do projeto: Vmusic

33.3 | Jonny Greenwood "“Convergência”

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By: yellowrainjacket | Visite também : Planeta 2+2=5

Colin Greenwood participará de triathlon benefiente em Oxford

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Colin Greenwood pode ainda não ter lançado nenhum projeto solo mas certamente é um dos mais filantrópicos músicos do Reino Unido. Mr Colin além de ser o embaixador oficial da Children’s Radio Foundation, que ajuda crianças africanas contando também a sua história, Colin também ajuda as pequenas casas inglesas a se manter através do projeto Independent Venue Week. A última de Colin foi via Twitter, o baixista estará participando este ano da  Leukaemia & Lymphoma Research Blenheim Palace Triathlon.

 

 

O evento visa arrecadar fundos para ajudar pacientes com  Leucemia, Colin também quer ajudar a filha do seu amigo que foi diagnosticada com a doença em 2011. A programação está marcada para os dias 07 e 08 de Junho em Oxford.

 

 

Site Oficial:

official fundraising site

Radiohead Lado R | Supercollider

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Retomando uma antiga coluna do Radiohead Brasil, no Lado R, vamos toda a semana falar de algum B-side da banda, são tantos e tão vasto é este repertório que daria mais uns 50 discos!!!.

 

Hoje vamos falar da canção que não fez parte do The King Of Limbs, mas bem que deveria, por sua beleza, um vocal apaixonante de Yorke (para  variar) e um som cristalino, que remete a certa nostalgia em pequenas doses de melancolia radioheadiana.

 

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Teclados e Phil Selway atuam de forma harmônica sob a batuta da poesia de Thom Yorke. Como nas grandes melodias da banda, tudo parece que foi suspenso, horizontal em seu andamento cíclico, pequenas andanças por ruas desconhecidas, mares de gente onde nos sentimos objetos invisíveis na contramão de um percurso inabalável. Supercollider é uma canção para se ouvir sozinho, de frente para o mar ou na mais completa paz solitário de um dia apenas… bom e delicado. Quem poderia pedir um melodia mais classuda? a canção termina com um pequeno gosto amargo de inquietação, que só com o tempo vamos compreender o verdadeiro significado. Feche os olhos e deixe Yorke te levar por meandros poéticos sedutoramente indecifráveis.

 

Curiosidades:

 

 

O primeiro título da canção foi “'Solutions'”. Thom Yorke tocou pela primeira vez em 2008, na BBC. No mesmo ano, Supercollider teve sua estreia ao vivo, em Dublin. A última aparição desta música foi na tuor 2012, na Nova Zelândia - Vector Arena.

 

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Ouça este e outros B-sides aí na: Radio R

Office Chart Radiohead Brasil | #0016

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16ª Edição da Office Chart Radiohead Brasil | Pouco mais quarenta de minutos de canções escolhidas pelo Radiohead Brasil | Thanks

 

 

Joanna Newsom - Cosmia
Cousin Cockroach - This Ain't Tom & Jerry
Protomartyr - Scum, Rise! - not the video
Matt Christensen - Daddy
Ambrose Akinmusire __Our Basement_
Aldo - Bluffing
Doubt - Vertigo (Mistress 03.5 _ Special 10-Inch)

Rappin Hood-Suburbano

 

Ouve aí

Radiohead no Brasil | 15 Step no Rio de Janeiro

Coluna para quem sonha com a volta da banda e sente eternas saudades das duas noites inesquecíveis em 2009.

 

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Na euforia de um futuro álbum do Radiohead, anunciado por Jonny,  nosso site pretende colocar toda a semana um vídeos com todas as faixas ao vivo dos dois concertos da banda em nosso país em 2009, na época da tour In Rainbows. Nossa fonte será o http://raindown.com.br/ do Andrews Ferreira Guedis. Para começar os trabalhos, 15 Step no Rio de Janeiro. Quem esteve naquela noite?

 

 

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Vamos fazer coro?

https://www.facebook.com/queroradioheaddevolta?ref=hl

Jonny Greenwood no Big Ears Festival e a volta do Radiohead

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O grande e eclético festival Big Ears, realizado em Tennessee, teve a participação ímpar do multi-instrumentista Jonny Greenwood. Além de John Cale, o mestre Steve Reich. Jon apresentou um conjunto que incluiu seu trabalho nas trilhas sonoras dos filmes do PTA e também na película Norwegian Wood, além do instrumental "Loop" que o musico havia estreado em Fevereiro em Londres.

 

Outra, Sem dúvida, uma grande notícia para todos os fãs da banda veio na entrevista que Jonny deu para a Nashville Cream, abrindo a contagem regressiva para o sucessor de The King Of Limbs, sim o Radiohead estará se reunindo em estúdio para começar a trabalhar o Lp9.

 

 

“So, I feel like I have to ask. When are we going to have a follow-up to Radiohead’s 2011 album?”

“Well we’re meeting up at the end of the summer, and we'll make a plan. But, you know, we’re a slow-moving animal, always have been. I guess we’ll decide then what we do next.”

 

 

 

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Radiohead Releituras | Amnesiac Tributo

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Ainda nas comemorações dos cinco anos de Radiohead por essas bandas,  a banda tributo argentina Amnesiac Radiohead fez essa semana uma “AMNESIAC SESSIONS” para celebrar, esse que é um dos maiores concertos de todos os tempos tanto para nós quanto para eles, por isso, figura aqui na nossa Radiohead Releituras.

Tracklist:

Bones
Let Down
Nude
Myxomatosis
Dollars & Cents

 

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Diego Porcaro - Voz, Guitarra, Percusión.
Juan Ignacio Gobbi - Guitarra, Teclados y Programación, Piano Rhodes.
Fernando Maggiolo - Guitarra, Coros.
Martín Barrios - Bajo.
Pablo Braco - Batería.

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Especial: os cinco anos do show inesquecível do Radiohead em São Paulo

Fotos: Mastrangelo Reino

Texto: Neto Rodrigues

Matéria do Move That Jukebox

 

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O clichê bobão “Quem viu, viu. Quem não viu, não viu” é facilmente aplicável à estreia do Radiohead em palcos brasileiros. Após um sem-número de vem-não-vem e anos de espera, finalmente Thom Yorke e seus amigos pisaram no país – e justamente em um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira, com a polêmica do “pago quanto quiser” ainda quentinha nas pautas musicais e de marketing mundo afora. In Rainbows, o álbum por trás da jogada, foi recebido de braços abertos e, pra muitos, é um dos trabalhos mais relevantes da década passada. Tudo isso jogou ainda mais tempero na performance do grupo e fez com que aquele 22 de março de 2009 em São Paulo (com o show do Rio de Janeiro tendo acontecido dois dias antes, vale lembrar) ficasse marcado a fogo na memória dos 30 mil pagantes que enfrentaram perrengues homéricos e desnecessários tanto na ida, quanto na volta da tal Chácara do Jockey.

 

Problemas de preços e logísticas à parte (e quem esteve presente sabe que houve um bocado deles), o Just a Fest, evento armado para trazer o Radiohead ao Brasil, ainda contou com dois bons “aquecimentos”: a “volta” dos Los Hermanos e o show robótico do Kraftwerk, que tinha cara de futuro, mas que cheirava a nostalgia. Enfim. Nada que roubasse o frio na barriga de ver de perto uma das bandas mais inventivas e reverenciadas dos últimos 20 anos. E a espera valeu a pena. O palco e sua parafernália luminosa de fazer cair o queixo até de quem só conhecia “Fake Plastic Trees”; “There There” e sua destruição progressiva logo no começo; Jonny Greenwood e sua cabeleira quase emo golpeando guitarras ou mexendo com barulhinhos sintéticos e frequências de rádio; “Jigsaw Falling Into Place” SEGUIDA do hino torto “Idioteque”; a pequena câmera focalizando o olhar vesgo de Yorke no telão em “You And Whose Army?”; os incontáveis momentos de catarse e transe da plateia; a delicadeza e o silêncio de “Faust Arp”; os tons épicos de “Exit Music (For A Film)”; “Creep”.

 

Mas, provavelmente, nada fez o público sair de alma tão lavada dali quanto “Paranoid Android”. O coro dos fãs após o término da música, implorando com fervor para que o frontman continuasse por mais alguns segundos sua saga de nome inspirado no Guia do Mochileiro das Galáxias, ainda é motivo de arrepios ocasionais – e relembrar que Thom entrou no clima e compartilhou mais uma dúzia de acordes acompanhando a galera é desses acontecimentos únicos em uma vida. Pode até soar banal (talvez seja, mesmo), e é compreensível chamar isso tudo de exagero – mas, fazer o que? Como já disse, quem viu, viu.

Show parcial transmitido, na ocasião, pelo Multishow

 

E para ajudar neste revival do show do Radiohead em São Paulo, que completa exatos cinco anos neste sábado, o Move convidou alguns colaboradores, parceiros e amigos para recapitular algumas histórias e lembranças daquele 22 de março que ainda reverbera.

 

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Como foi:

 

“Depois de ver a última apresentação dos Los Hermanos até sei lá quando, e depois de ver também o espetáculo robótico e hipnotizante dos papais da música eletrônica, o Kraftwerk, era difícil acreditar que a noite ainda ia ter o Radiohead. Mas teve, e foi tão legal quanto eu esperava. A produção do palco era linda, com umas espécies de postes que ficavam pendurados do teto e balançavam suavemente com o vento frio da noite, sobre os quais eram projetados umas cores muito bonitas (ou talvez fossem umas cores bem sem graça e a música excelente me fizesse achar tudo lindo). O telão daquele show com certeza foi o mais cinematográfico que eu já vi em um show: diversas câmeras mostravam detalhes das performances e dos equipamentos de cada um dos músicos, e era difícil saber pra onde olhar. O set-list trouxe várias músicas do In Rainbows que tinham uma pegada mais “rock n’ roll”, como “15 Step”, “Jigsaw Falling Into Place” e a incrível “Bodysnatchers”, mas o show que eu tenho na memória foi um dos mais lindamente melancólicos que eu já vi. Lembro muito bem da voz do Thom Yorke no refrão da linda “Lucky”, quando o palco se iluminou de um roxo profundo, da apatia hipnotizante da “Everything In Its Right Place” e do maravilhoso bis que trouxe “Fake Plastic Trees” e “Creep”. Acho que o show foi num domingo, porque eu lembro remotamente de me preocupar em acordar cedo no dia seguinte. Eu nem lembro de como foi esse dia seguinte, mas por mais sono que eu tenha passado nele, valeu totalmente a pena.”

 

 

- Gustavo Sumares, Move That

“Era minha primeira vez em São Paulo, cidade na qual hoje eu moro. Meu primo me largou na longínqua Chácara do Jockey e eu não tinha muitas perspectivas de como eu ia fazer pra voltar dali. Mas nada importava, era o show da minha banda preferida. A abertura com o Kraftwerk deixava tudo ainda melhor. Desde o primeiro segundo de show com “15 Step”, eu já sabia que seria o melhor show da minha vida. Duas horas e quarenta minutos depois estava tudo consolidado. Até hoje nenhum outro grupo conseguiu superar aquela apresentação na sala de troféus que eu guardo na minha memória (apesar do The National ter igualado). Eu consegui voltar pra casa. Mas a lembrança daquele dia frenquentemente vem me visitar.”

 

- João Vitor, Indie da Deprê

“O show foi incrível! Pena que no aperto da grade um corno manso fez xixi na minha perna (pois é, isso mesmo) e eu passei metade do show chorando, mas sem ser de emoção.”

 

- Flávia Durante, Trip

“Não é exagero dizer que 22/03/09 foi um marco na minha vida. Não é à toa que tenho a data marcada na pele. Foi minha primeira ida a São Paulo, foi minha primeira viajem de avião e foi a primeira vez que chorei de alegria ao ver meus ídolos num palco. Lembro nitidamente de, logo no início do show, parar, respirar fundo e engolir o choro pra conseguir enxergar melhor aquele quinteto de gênios tocando na minha frente. Dali pra frente, me dediquei a gastar todas as minhas energias – afinal de contas, nada mais poderia dar errado. E não deu. Foi tudo lindo, foi mágico. Radiohead fez muito mais que música naquela noite. Fez o público flutuar com os pés no chão, fez com que todos entrassem na mesma frequência das notas tocadas. Fez muita gente feliz. ‘This is what you get, when you mess with us’.”

 

- Priscila Cloque, Move That Jukebox

“Poucos shows foram tão complicados e emocionantes quanto a passagem do Radiohead pelo Brasil. Ganhei o ingresso para o show como um presente de aniversário, dois dias antes do evento, e fiz uma viagem de mais de 12 horas (de van) até chegar em São Paulo – na época, ainda morava no Paraná. Cheguei pouco antes das 8 da manhã no Jockey, ficando na fila até a abertura das portões, por volta das 14 horas. Da frente da grade até o fim do show dos ingleses foram mais de 10 horas em pé. Não havia água – os entregadores não conseguiam chegar até o centro do palco – e o único copo que consegui comprar custou absurdos R$ 20. Choveu, fez calor, deu vontade de chorar, mas a vontade de ver uma das minhas bandas favoritas se apresentando foi ainda maior. Rever Los Hermanos e assistir ao Kraftwerk pela primeira vez? Deliciosos aperitivos antes do prato principal. Quando a banda chegou ao palco com “15 Step”, a felicidade foi absurda. Chorei feito criança com “All I Need” e “Fake Plastic Trees”, fiz parte do coro em “Paranoid Android” (quem não?) e gritei a cada experimento louco que a banda testava no palco. Luzes, distorções e até um rádio sendo “tocado” – “Que show absurdo é este?”, perguntava. Quando “Everything In Its Right Place” tocou, pensei seriamente em fingir desmaio para evitar a massa que se aglomerava atrás de mim. Aí veio “Creep”, aqueles efeitos coloridos no telão e o refrão clichê. Não deu outra: aguentei até o fim. Depois, mais 12 horas até chegar em casa. Porém, havia uma certeza na minha cabeça: havia assistido ao melhor show da minha vida.”

 

- Cleber Facchi, Miojo Indie

“Eu nunca fui uma super entusiasta do Radiohead. Sempre respeitei mais do que ouvi. Sou muito sensível à música e eu tento fugir um pouco da melancolia. Na época, eu namorava um cara que gostava muito. Dei o show de presente de aniversario pra ele. E por mais que não seja uma das minhas bandas preferidas, sempre cito esse show como um dos melhores que eu já vi. Das super câmeras à iluminação do palco, à simpatia sem jeito do Thom Yorke. É uma banda única. E minha relação com ela mudou um pouco depois do show, porque a melancolia ficou um pouco de lado quando eu lembro da euforia do som. E o Kraftwerk foi a cereja do bolo.”

 

- Janara Lopes, IdeaFixa

“O grande risco do show do Radiohead no Brasil era que meu senso crítico fosse afetado pela minha devoção de longa duração ao grupo. Eu já tinha a opinião formada de que aquele seria o melhor show da minha vida antes mesmo do primeiro acorde ser soado. Ver o Radiohead ao vivo foi um misto de incredulidade (estava realmente acontecendo) e pontadas no coração (hora de aperto, hora de alegria, hora de frio na espinha). Minhas expectativas, mais que cumpridas, foram superadas. E até hoje não sei se o show foi realmente fantástico ou se todos que estavam lá foram hipnotizados ao longo das mais de duas horas de música. Se foram, estou em transe até hoje.”

 

- Gregório Fonseca, Move That

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“A lembrança do show ainda é muito clara na minha memória. Não morava em São Paulo, mas comprei o ingresso assim que anunciado. Rolou uma comoção dos amigos gaúchos e até uma vaquinha pra levar uma amiga que não ia conseguir por causa de grana. Chegamos cedo, nos esprememos no show do Los Hermanos, dançamos no show do Kraftwerk e, então, vibramos. Um dos melhores shows em que eu já estive. Emocionante. Quando tocou “Talk Show Host”, não acreditei! Foi meu primeiro amor com Radiohead. Espetáculo de luz e som e explosão de alegria e amor. Tipo isso. Nem a volta caótica pra casa conseguiu apagar a delícia daquela noite. Tenho até hoje pendurado em cima da minha cama o cartaz dessa lembrança.”

 

- Camila Mazzini, Vice

“Dificilmente haverá um show que será tão marcante quanto o do Radiohead em São Paulo, há cinco anos, na minha vida. Apesar disso, o que consigo lembrar daquela noite são apenas fragmentos. Não sei se era a emoção somada à expectativa e realização, o que sei é. Como um sonho, o que sobrou na lembrança foram fragmentos. Lembrar do rosto de Thom Yorke no painel de led por uma câmera perto ao rosto, das luzes que faziam o seu show particular, lembrar de Jonny Greenwood conectando e desconectando cabos, lembrar do público fazendo coro e trazendo a banda de volta, de violões e grandes percussões, da chuva que caía como poesia, da banda voltando para um segundo bis, das pernas cansadas e da cabeça flutuando. Lembro do êxtase pelas canções tocadas, e não lembro exatamente quais foram. O que sobrou de tudo foi um sentimento que acredito não será superado – difuso e inesquecível, o show do Radiohead foi um marco na minha vida.”

 

- Iberê Borges, Move That

“Não sei direito o que fui fazer no show. Tenho a impressão de que fui trabalhar, mas não tenho certeza. Acho que fiz uma matéria sobre a reunião do Los Hermanos para o evento. Deve ter sido isso. Eu gosto de Radiohead, mas não piro muito na fase pós-OK Computer. Ironicamente, tinha um puta trânsito para chegar àquele lugar infernal e perdi a apresentação dos Hermanos inteira. Cheguei quando eles estavam dizendo tchau. Mas vendo um pedacinho da última música e assistindo ao show do Kraftwerk inteiro, achei que eram as melhores bandas de abertura que o Radiohead poderia ter naquele momento. Ambas representavam algo de fases distintas do grupo do Thom Yorke. Eu fiquei muito impressionado com a iluminação e o som do Radiohead, mas não há boa impressão que dure com o caos que foi a saída do estacionamento desse show. O Radiohead acabou, para mim, sendo trilha de pesadelo.”

 

- Paulo Terron, Rolling Stone Brasil

Nunca fui das maiores fãs de Radiohead. Claro, sabia que Kid A era um álbum incrível e realmente gostava de uma meia dúzia de músicas da banda. Lembro até hoje quando ouvi “Creep” pela primeira vez no rádio e como quase me asfixiava prendendo a respiração junto com Thom Yorke no clipe de “No Surprises”. Não esperava muita coisa do show, mas sabia que tinha que ir porque era um momento histórico. Tinha um bafafá se eles iriam tocar “Creep” ou não, mas eu estava secretamente bem mais empolgada para a apresentação do Kraftwerk. Já tinha me aventurado pela Chácara do Jockey no Claro que é Rock de 2005, mas durante a noite e num show que não envolva os Stooges, a coisa muda um pouco. Lembro da lama e da peregrinação dos indies naquele pasto. E só Deus sabe o quanto aquele show dos Los Hermanos foi difícil. Mas quando o Radiohead entrou no palco eu entendi tudo o que sempre tentaram enfiar na minha cabeça. O som, as luzes, as músicas. Um bis triplo encerrando com “Creep”. E eu lá, besta, com os olhos cheios de lágrimas no meio do mato. E nem o vidro quebrado do carro parado num daqueles estacionamentos clandestinos conseguiu estragar minha noite.”

 

- Débora Cassolato, Ouvindo Antes De Morrer

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Rain Down:

 

Quem acompanhou em blogs, fóruns, Orkut (pois é) e pelo Twitter toda a repercussão pós-show do grupo inglês, deve se lembrar de um projeto criativo que juntou todas as duas horas e tantos minutos da apresentação. Bem além de ser simplesmente um reprise, o Rain Down fez um mega mashup colaborativo de trechos amadores filmados por fãs do Brasil inteiro que estiveram presentes na ocasião. O resultado é a íntegra da performance traduzida em vários pontos de vista do público, ora focando o palco como um todo, ora um integrante específico, ora os telões e assim vai. O autor da façanha é Andrews Ferreira, que, por conta da ocasião especial, falou um pouquinho com o Move e relembrou a época do show e da empreitada.

 

Move: Do que você mais se lembra da apresentação do Radiohead?


Andrews: Da reação do público quando eles entraram no palco ao som de 15 step, reação que não cessou em nenhum momento do show. Os fãs gritavam o nome de cada integrante e eles não sabiam como retribuir, faziam brincadeiras com o público, pareciam estar em casa. Mas o momento mais marcante com certeza foi no meio da música Paranoid Android, em São Paulo, onde os fãs cantaram a parte “Rain Down…” em um coro alto e comovente. Todos que foram nesse dia devem lembrar a emoção do momento.

 

Como rolou a ideia de fazer o Rain Down?
Lembro que o show foi transmitido pela metade no Multishow. No dia seguinte, eu e grande parte do pessoal que foi ao show estavam a procura de filmagens das músicas Paranoid Android e várias outras que não foram transmitidas. Só haviam pedaços e trechos, e foi nesse momento que tive a ideia de editar um vídeo completo sem maiores pretensões. Consegui reunir alguns vídeos do YouTube, fiz uma edição rápida e lancei pelas comunidades da banda, na época, a rede social Orkut era o que o Facebook é hoje. A edição mexeu com os fãs; recebi uma enxurrada de pedidos para editar outras músicas e consequentemente todo o show. Comecei a receber material de todos os lados e abracei a ideia de criar um projeto colaborativo e disponibilizar gratuitamente um DVD editado com todas as músicas do show do Rio de Janeiro e São Paulo.

 

O projeto conseguiu um bom alcance, certo? E o que ele rendeu pra você, posteriormente?


Sim, era uma coisa nova no Brasil, naquela época ninguém falava de crowdsourcing, de filmagem colaborativa, apesar de já terem outros projetos parecidos lá fora. O Rain Down teve um alcance monstruoso, eu acredito que até teve o conhecimento por parte da banda, apesar de não ter nenhuma prova disso. Consegui falar sobre o projeto em diversos meios de comunicação, cheguei a participar ao vivo de um programa da MTV explicando o projeto, o que eu fazia na época e sobre todo o lance dos direitos autorais que polemizaram o assunto. Muita gente bacana apareceu na minha vida nessa época, fiz bons contatos, foi também uma boa oportunidade para mostrar o meu trabalho fora das edições de vídeo, sou grato por lembrarem do projeto até hoje.

 

Se a banda voltar, acha possível fazer mais uma versão do projeto?


Sim, com certeza, estou no aguardo dessa volta desde que vazaram boatos de shows por aqui. Faria uma nova versão mais organizada e planejada dessa vez e hoje, com certeza teríamos uma qualidade de vídeo muito superior de imagem do que aquelas câmeras de 2009. Os fãs provavelmente me ajudariam a fazer isso acontecer.

Acima, você encontra o projeto em sua forma completa, com mais de duas horas de duração. A tracklist, bem recheada, está na sequência. Bom show. Novamente.

 

01. 15 Step
02. There There
03. The National Anthem
04. All I Need
05. Pyramid Song
06. Karma Police
07. Nude
08. Weird Fishes/Arpeggi
09. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw Falling Into Place
14. Idioteque
15. Climbing Up The Walls
16. Exit Music (For A Film)
17. Bodysnatchers
18. Videotape
Encore:
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner
Encore 2:
23. House Of Cards
24. You And Whose Army?
25. Everything In It’s Right Place
Encore 3:
26. Creep

33.3 - This Is What You Get | Karma Police

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By armadilhamusical | Visite também: Radioheadbra | 33.3

Thom Yorke publica uma nova Office Chart no DAS

“more pissing in the wind on a Monday... office chart” Thom



 
Thom Yorke atualizou o site do Radiohead com uma nova Office Chart, a segunda este ano. Destaque para a psicodélia Downtempo de John Matthias e o techno cabeçudo dos Actress nos fones de Yorke. Aqui no DAS


1. Jackie Bouvier - John Matthias
2. No Name - Eomac
3. Revolve - M-Zine & Scepticz
4. Climbing Walls - John Matthias
5. Syvanteessa Pukinjalkaisen - O
6. Rubber Hands - Gerry Read
7. Rims - Actress
8. Dowlais Wheelie Crew - Wesley Matsell
9. Punters Step Out - Joe
10. Slope - Joe


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Para ouvir lendo (ou apenas ouvir): How to disappear completely




Chamamento

Depois de incontáveis dias de sujeira acumulada
Assisto a banheira se enchendo aos poucos
A água sobe calma e, com ela, algo de pacífico também surge
Olho na minha face refletida, então estremeço e me fascino
Sinto um chamamento pra água e em meu reflexo alto também me suga
Vou ávido de cabeça e me machuco
O sangue forma um fio na água, depois se torna róseo e some
Não me parece nada de grave
Com a dor galopante vem a tontura

A imensidão do mar sempre me assustara
A imensidão do mar sempre fora motivo suficiente para não me entregar
Narciso de banheira
Nunca fui dado aos mergulhos e transbordamentos
Mas sempre bati muito a cabeça em friezas e instransponibilidades
Nesse banheiro tudo me parece propício, me é adequado
O estado psíquico se altera

Um estado de sonolência se instala
Como fio último da razão olho a água que transborda e me despreocupo
O ralo ao lado da privada e o degrau do banheiro impedirão que a água avance por todo o apartamento
Escuto o barulho dela caindo leve como uma chuva leve e sem vento
Tudo está bem
Adormecendo, a dor acaba sumindo

Um movimento involuntário me assusta e me acorda
Começo a me debater dentro da banheira
O humano em mim vira translucido
O peixe que me torno se desespera
Descubro despreparado que o sal do mar me seria imprescindível
Agora é tarde, me inquietando novos machucados se fazem
Escamas se soltam, pequenos cortes sangram
Tudo se torna bruto
Os olhos órfãos de pálpebra se embranquecem
Sem outra opção, miro o teto e é tudo

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João Henrique Balbinot, paranaense de interior, gosta de viver rodeado de músicas, palavras e pessoas.  Quase sempre. Autor do livro de contos “No arco-íris do esquecimento” (Ed. Multifoco, 2012).
Livro:

Radiohead uma das atrações do primeiro festival Bonnaroo no Brasil?





Há um bom tempo estão rolando notícias a respeito de uma versão brasileira do festival de Bonnaroo, cuja edição original acontece no Tennessee, nos Estados Unidos, e foi iniciado em 2002.

Pois bem, segundo matéria do colunista Lauro Jardim na revista “Veja” da última segunda-feira, as duas primeiras atrações do evento no Brasil seriam Paul McCartney e Radiohead, o que faz bastante sentido, já que ambos estão entre os maiores nomes que já tocaram na versão original do Bonnaroo nos Estados Unidos.

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O festival aconteceria no Rio de Janeiro, no Parque dos Atletas, e os responsáveis estariam procurando por patrocinadores para a sua realização.

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Fontes:

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Enquanto essa notícia extraordinária não se confirma, confira um dos melhores concertos de uma das melhores bandas ao vivo desde sempre.

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